O novo curso de bacharelado em Antropologia da Universidade Federal Fluminense (UFF), com início em agosto deste ano, é pioneiro no Estado do Rio de Janeiro e um dos primeiros no Brasil. A primeira turma será formada, exclusivamente, por meio do Enem - com 55 vagas - e transferência externa - cinco vagas. A partir de 2012, as turmas serão formadas pelo vestibular tradicional da UFF. A iniciativa de criação do curso decorre de uma longa experiência de ensino e pesquisa desenvolvida e acumulada pela universidade nas últimas décadas, desde a implantação da disciplina no país e sua inclusão definitiva nos currículos de Ciências Sociais (licenciatura e bacharelado), até a criação do mestrado e do doutorado em Antropologia Social, no início da década de 1970.
O Departamento de Antropologia da UFF criou seu mestrado em Antropologia em 1994, inicialmente com o mestrado em Ciência Política, e seu doutorado em 2002. A partir de então, foram formados 32 doutores e 164 mestres até maio de 2011.
Os antropólogos têm sido fortemente requisitados, em todo o Brasil, especialmente para subsidiar a implementação de políticas públicas, nos âmbitos federal, estadual e municipal de governo, em todas as áreas de atuação, especialmente em educação, saúde, movimentos sociais (reforma agrária, por exemplo) e patrimônio. Além disso, a necessidade da intervenção antropológica se manifesta, especialmente, com relação às políticas de diversidade e de ação afirmativa e aos laudos referentes à demarcação de territórios indígenas e quilombolas, sem esquecer sua importância para realizações de Estudos de Impacto Ambiental (EIA), de seus relatórios (Rima) e a delimitação de áreas de conservação e preservação.
A Antropologia investiga os diversos aspectos da vida social em diferentes culturas ou sociedades humanas e sua área de atuação abrange estudos sobre parentesco e organização social, política e economia, ritual e religião, corpo e pessoa, práticas de conhecimento, arte e simbolismo. A originalidade da Antropologia como Ciência Social reside em seu interesse pelo caráter multifacetado dos fenômenos coletivos e provém tanto de seu método etnográfico de trabalho de campo intensivo como de sua abordagem comparativa de fenômenos coletivos em diferentes contextos culturais e sociais.
Outras informações pelo telefax (21) 2629-2867 e no site http://www.coseac.uff.br/. O Departamento de Antropologia está localizado no Instituto de Ciências Humanas e Filosofia (ICHF), Campus do Gragoatá, Bloco O, sala 325, São Domingos, Niterói.
Agência UFF de Notícias
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sábado, 11 de junho de 2011
domingo, 19 de setembro de 2010
Ensaio sobre a dádiva (Marcel Mauss) por Nádia aguiar Parte IV

Finalizando, Mauss considera que uma parte da nossa moral continua estacionada numa atmosfera de obrigação, liberdade e dádiva misturada, pois nem tudo está classificado nos termos de compra e venda. As coisas possuem um valor sentimental além do seu valor em si mesmo. Poderíamos dizer que Mauss também confere as coisas um feitichismo, assim como Marx, pois o valor da mercadoria não está em si mesma. Mauss também faz crítica ao utilitarismo, ao dizer que o valor vai adiante da sua utilidade, ele tem caráter simbólico. Não tem apenas um caráter funcional, a mercadoria não se esgota em sua natureza.
Como Marx, Mauss apresenta uma caráter utópico ao dizer que os povos, as classes, as famílias, os indivíduos, poderão enriquecer-se, mas só serão felizes quando souberem sentar-se em torno de uma riqueza comum. (:184). Mas como pensar o sistema da dádiva nos dias de hoje, em que o capitalismo nos apresenta uma versão massificadora de exploração do homem pelo homem?
Como citado no início desse texto ainda podemos observar uma lógica da dádiva disfarçada em nossas relações de gentileza, nas nossas relações sociais, mas não podemos negar a ordem econômica que reduziu as coisas ao seu preço.
Além de tais reflexões podemos pensar sobre o fazer antropológico inicializado por Mauss. Nas palavras de Lévi-Strauss na introdução do livro Sociologia e Antropologia, Mauss se faz numa dimensão astronômica ao procurar entender essa vastidão geográfica, ao mesmo tempo que ele se faz microscópico ao tentar observar nessas trocas tão locais seu caráter total e inconsciente, procurando demonstrar as profundidades da sociedade humana, não só nesse artigo como em muitos outros.
Talvez antropologia seja essa ideia de pensar o processo humano dentro desses dragões que são as percepções astronômicas, espaciais e as microscópicas, in loco.
Nádia dos Santos Aguiar
é formada em História pela UESC
Aluna de Ciências Sociais - UESC
Aluna especial do mestrado em Antropologia na UFSC
